Sobre a autora

Sejam bem-vindos a uma pequena parte da minha vida. Meu nome é Fernanda, eu tenho 32 anos, e fui mãe aos 31. Nasci em São Paulo e me mudei para a Holanda em 2016. Sou artista de formação, atriz e performer, mestra em artes (ainda me pergunto o porquê), mãe 48 horas por dia e estou tentando empreender. Tive o chamado baby blues muito intenso. Sofri violência obstétrica e só depois de escrever uma carta para o hospital narrando a minha saga em tornar-me mãe nas mãos deles, foi que comecei a sentir uma melhora. Nesse meio tempo, entre nascimento e ir ao hospital conversar, iniciei o instagram @momdernist para tentar dar conta de um sentimento de maternidade que, na verdade, não tem como dar conta. E hoje eu sei que tudo bem. É tão difícil dar conta de tudo, muito mesmo, então não se sinta pressionada a ser 20. Eu tive a sorte de ter minha família ao meu lado a todo tempo, de ter um parceiro compreensivo (que na verdade estava apenas fazendo o papel dele, portanto sem confetes) e de ter uma filha que eu espero que saiba que a mamãe é perfeita em toda a sua imperfeição e caos. Após o chá de bebê dela eu escrevi o seguinte texto: “Ontem foi seu chá de bebê. Foi lindo! Na ânsia de me reconhecer como mãe, e capaz, eu cozinhei tudo, e você sabe que eu não sou muito de cozinhar. O primeiro bolo quebrou e sua tia ficou segurando com as mãos até que pensássemos no que fazer. Fizemos outro e vamos comer o primeiro até o dia que você nascer provavelmente. Suas duas tias estavam aqui. Muitas outras tias postiças vieram, e vieram de longe também, pra você ver como é amadx. Mas devo confessar algo que você provavelmente já sabe. Eu renomeei o evento para minha despedida. Minha despedida de quem sou e fui, um pouco nostálgico e melancólico, eu sei. Mas minha despedida porque muitas daquelas mulheres só me verão novamente quando você já estiver fora de mim. Então, durante a preparação dessa festa, me despedi de quem eu fui, tentando loucamente permanecer quem eu sou. Serei sua mãe, e por mais que isso vá mudar absolutamente tudo, eu não quero deixar de ser quem eu nem sei que fui e sou. Porque a mamãe é isso. Um eterno monta e desmonta de festa na procura de não se perder, mas de quem sabe um dia ainda se encontrar. Te amo, e até breve, vem que vai ter bolo!!” E é isso. Ela veio, e tem bolo, porque é a única coisa que eu sei mais ou menos cozinhar. E eu sigo na luta, tentando me encontrar. Meu nome é Fernanda, eu não sei bem quem eu sou, mas sou, com certeza, a mãe da Alma.

Foto: Matheus Heck . Berlim . 26/05/2019

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